EM CONSTRUÇÃO


CONTATO








Projeto para expansão do Museu de Imagens do Inconsciente

2018 












NISE DA SILVEIRA

Fundado em 1952 pela Dra. Nise da Silveira, o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), é hoje um centro de pesquisa interdisciplinar e conta com um acervo de mais de 350 mil itens. Dentre eles estão as principais coleções do Museu (128.909 obras), tombadas pelo IPHAN, e o arquivo pessoal da psiquiatra, reconhecido como Memória do Mundo pela Unesco.

O museu nasce do inconformismo de Nise com as técnicas praticadas nos pacientes do então Centro Psiquiátrico Nacional (CPN) (eletrochoques, lobotomia e coma insulínico). Nise cria então a Seção de Terapêutica Ocupacional, onde abre espaço para que os pacientes — aos quais ela se referia como “clientes” — pratiquem técnicas artísticas como a pintura e a modelagem. A partir dos trabalhos desenvolvidos nesses ateliês, a psiquiatra desenvolveu uma metodologia inovadora com fortes vínculos com a psicologia analítica de Charles Jung, e o trabalho desenvolvido no Museu foi revolucionário para a psiquiatria no Brasil e no mundo.














 



QUADRA-PARQUE

O edifício que hoje sedia o MII integra o Instituto Municipal Nise da Silveira (IMNS), equipamento da rede municipal de saúde situado no bairro do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, que ocupa uma grande quadra verde de 300x300 metros — o equivalente a aproximada

mente quatro quadras do bairro. Trata-se de uma área singular no padrão de ocupação da região do Grande Méier, pelas características de sua ocupação e sua densa arborização, que portanto se apresenta como um “oásis” verde na cidade: uma quadra-parque. Entendemos, no entanto, que a singularidade desta porção de cidade é resultado da ocupação como hospital psiquiátrico durante tanto tempo, pelos muros que construiu entre as pessoas ali internadas e a cidade.




Após a reforma psiquiátrica, o programa original do Centro Psiquiátrico se torna parcialmente obsoleto uma vez que o número de internos foi reduzido sensivelmente. Atualmente a quadra-parque já abriga — além das funções ligados à saúde mental — diversos outros usos de caráter social e cultural. Por estas razões, observa-se um grande potencial de transformação desta quadra. A quadra-parque pode se tornar uma área de lazer para a população local e para toda a cidade e o Museu de Imagens do Inconsciente é um elemento chave nessa transformação. A abertura do Parque Municipal Nise da Silveira à cidade e a ampliação do museu são gestos simbólicos e potentes para aqueles que já passaram pelo hospital psiquiátrico e aqueles que lutam contra os manicômios.
























EXPANSÃO DO MII

Nesse contexto, este “projeto de arquiteura para expansão do Museu de Imagens do Inconsciente” propõe reordenar os seus espaços e atividades de modo a distribuí-las no conjunto de edifícios que passam a compor o Museu, com a anexação de dois novos edifícios. Como diretrizes gerais para o projeto assinalamos:

1. Aproveitamento das qualidades intríssecas aos edifícios existentes e construção de poucos elementos novos necessários à conectividade espacial;
2. A simplicidade e facilidade de manutenção dos elementos construídos — novos ou existentes;
3. A integração das áreas internas com o ambiente externo à sua volta;
4. A transformarção da experiência do museu e ampliação do público: de visitação com interesse específico para uma “visita-experiência” visando a permanência.






O conjunto no MII abrange o primeiro bloco ocupado pelo museu [01], o bloco da garagem, ocupado atualmente com oficinas de modelagem [02], os novos blocos hoje anexados ao museu [03].
A primeira ação do projeto é articular estes três blocos com a inclusão de três novos elementos:

[a] uma conexão vertical (escadas e elevador) e horizontal (passarela) entre o bloco 01, 02 e 03,

[b] um novo limite frontal entre os blocos frontais 01 e 02 que os
unifica e permite a retirada das grades existentes no limite do lote,

[c] uma escadaria de acesso ao pátio das exposições, criando um segundo acesso ao museu que cria um circuito contínuo de acesso público e protege o acesso ao bloco 04, agora destinado à expansão do acervo.








Quanto à organização dos espaços, o projeto preza pela mistura de usos em detrimento da setorização, distribuindo as atividades por todo o conjunto edificado. Esta característica fica clara no caso do percurso expositivo, que permite ao público atravessar todos os blocos, potencializando a experiência da visitação pela diversidade espacial e a possibilidade do visitante percorrer todo o conjunto. Os espaços expositivos serão equipados à altura dos trabalhos expostos e o aumento da área expositiva permitirá a criação de espaços próprios para os grandes mestres da pintura e do desenho que passaram pelos ateliês do MII e da vida e obra de Nise da Silveira. Os atuais clientes do MII também terão suas obras expostas na sala “contemporâneos”.

Os ateliês, espaços fundamentais para a continuidade do trabalho iniciado por Nise, serão distribuídos no novo bloco e abertos para o que chamamos de “pátio dos ateliês”, junto bosque que ocupa o centro da quadra-parque. Neste mesmo pátio estará uma cafeteria, onde os visitantes são convidados a permanecer ao fim do seu percurso de visitação.

Indo em direção ao bosque, o visitante encontrará um mirante [05] que agora ocupa o antigo reservatório desativado e permitirá uma vista sobre a copa das árvores e para o Maciço da Tijuca. Transbordando os limites do conjunto edificado, o passeio continua, o parque vira museu e o museu vira parque.





























DATA

2018


LOCALIZAÇÃO

Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, RJ




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